We all stand together - Rupert Song
terça-feira, 25 de dezembro de 2007
segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
Obrigada...
Obrigada pelo reencontro...
Obrigada pelo abraço sentido, pelas lágrimas
Não de tristeza mas de felicidade,
Obrigada por te voltar a ouvir chamar Susi...
Obrigada pelo carinho,
Obrigada pelo orgulho que sentes
E que eu sinto...
Obrigada pelo colo...
Obrigada pelo miminho...
Obrigada por me chamares de tua menina...
Obrigada por este presente cheio de afectos...
Obrigada por me teres dado exactamente o que eu precisava...
Obrigada pelo teu Amor...
Beijo do tamanho do mundo...
E coragem que o teu desafio não é fácil...
Mas acredita!
Vale sempre a pena acreditar...
Obrigada pelo abraço sentido, pelas lágrimas
Não de tristeza mas de felicidade,
Obrigada por te voltar a ouvir chamar Susi...
Obrigada pelo carinho,
Obrigada pelo orgulho que sentes
E que eu sinto...
Obrigada pelo colo...
Obrigada pelo miminho...
Obrigada por me chamares de tua menina...
Obrigada por este presente cheio de afectos...
Obrigada por me teres dado exactamente o que eu precisava...
Obrigada pelo teu Amor...
Beijo do tamanho do mundo...
E coragem que o teu desafio não é fácil...
Mas acredita!
Vale sempre a pena acreditar...
Um desejo...
Um sorriso cheio de traquinice...
Desses que nos surge ao saborearmos traquinice feita...
Desses que nos torna leves e felizes...
Desses que sentimos mil vezes em criança...
E que não sei porquê o perdemos em adultos...
Devia ser um dos nosso maiores tesouros...
Acho que nos esquecemos, perante a rotina do dia-a-dia...
Mas eu tenciono recupera-lo...
À medida que me vou conhecendo...
Descubro-o...
E gosto...
Gosto dos pensamentos que me surgem quando o esboço...
Desses associados ao sorriso traquinas...
Desses que nos surge ao saborearmos traquinice feita...
Desses que nos torna leves e felizes...
Desses que sentimos mil vezes em criança...
E que não sei porquê o perdemos em adultos...
Devia ser um dos nosso maiores tesouros...
Acho que nos esquecemos, perante a rotina do dia-a-dia...
Mas eu tenciono recupera-lo...
À medida que me vou conhecendo...
Descubro-o...
E gosto...
Gosto dos pensamentos que me surgem quando o esboço...
Desses associados ao sorriso traquinas...
Dizer não...
É o inicio da mudança...
Tomar posição por muito que custe...
Não podemos ficar passivos...
Não podemos ser imutáveis..
Estive passiva tempo demais...
Desvendas-te o que tenho andado a fazer sem me aperceber...
Digo não, e sigo em frente...
Tenho-o o feito...
Andei tempo demais ao sabor do tempo...
Sou um animal em mutação...
Em desassossego...
Disse não e resolvi parte do passado que parecia que não queria resolver...
O saber o que se espera é confortável...
Pareceu atraente...
Mas não!
Não é o suficiente...
Quero mais, muito mais...
Quero ser eu!
Quero ser a mulher que estou a descobrir...
Gosto das mutações que me acontecem...
Gosto dizer não...
Tomar posição e não deixar que as tomem por mim
Sim eu sou EU...
Ainda não perfeitamente conhecedora deste Eu
Mas, por isso mesmo se torna aliciante...
Sinto-me mulher
Quero senti-lo cada vez mais...
Recordaste-me isso
Apercebo-me que não me contento com pouco...
Por isso luto...
Por isso me entrego totalmente...
Conversar contigo sabe sempre bem...
Parece que páro, analiso e compreendo-me
Entendo o porquê de muita coisa
Do ano que se passou...
De me entender...
Embora tenha reprimido...
Sem dúvida nunca conheci alguém que me conheça tão bem
Que me estimule tanto...
E que tanto me entenda...
Alturas houve em que me assustava
Esse teu conhecer-me tão profundo...
Na tua presença parecia transparente...
Mas agora sabe bem...
Não tenho medos...
Mostraste-me como...
Mostraste-me a mulher que sou...
Consegues sempre fazê-la fluir...
Contigo sinto-me bem na minha pele...
Obrigado...
Tomar posição por muito que custe...
Não podemos ficar passivos...
Não podemos ser imutáveis..
Estive passiva tempo demais...
Desvendas-te o que tenho andado a fazer sem me aperceber...
Digo não, e sigo em frente...
Tenho-o o feito...
Andei tempo demais ao sabor do tempo...
Sou um animal em mutação...
Em desassossego...
Disse não e resolvi parte do passado que parecia que não queria resolver...
O saber o que se espera é confortável...
Pareceu atraente...
Mas não!
Não é o suficiente...
Quero mais, muito mais...
Quero ser eu!
Quero ser a mulher que estou a descobrir...
Gosto das mutações que me acontecem...
Gosto dizer não...
Tomar posição e não deixar que as tomem por mim
Sim eu sou EU...
Ainda não perfeitamente conhecedora deste Eu
Mas, por isso mesmo se torna aliciante...
Sinto-me mulher
Quero senti-lo cada vez mais...
Recordaste-me isso
Apercebo-me que não me contento com pouco...
Por isso luto...
Por isso me entrego totalmente...
Conversar contigo sabe sempre bem...
Parece que páro, analiso e compreendo-me
Entendo o porquê de muita coisa
Do ano que se passou...
De me entender...
Embora tenha reprimido...
Sem dúvida nunca conheci alguém que me conheça tão bem
Que me estimule tanto...
E que tanto me entenda...
Alturas houve em que me assustava
Esse teu conhecer-me tão profundo...
Na tua presença parecia transparente...
Mas agora sabe bem...
Não tenho medos...
Mostraste-me como...
Mostraste-me a mulher que sou...
Consegues sempre fazê-la fluir...
Contigo sinto-me bem na minha pele...
Obrigado...
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
domingo, 16 de dezembro de 2007
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
Waiting in the line...
Waiting in the line,
Wasting time,
Once again...
Hoping that this time is the time...
Zero 7 - In The Waiting Line
Wasting time,
Once again...
Hoping that this time is the time...
Zero 7 - In The Waiting Line
Desassossego nestes dias...
Desassossego esse que sinto nestes dias...
É um dormir em desassossego...
Sentir o coração apertado sem porquê...
O passado que ficou no passado e que não voltou para o presente...
E fica bem guardado...
Finalmente foi arrumado no espacinho que lhe é devido,
Pelo que foi, pelo que representou
E que hoje já não é...
É apenas passado e jamais será de novo presente...
Desassossego de pensamentos que vão e voltam...
Que não se conseguem controlar...
Não consigo arrumar de vez com o que provavelmente nunca foi...
Não consigo deixar de pensar em momentos e atitudes,
E não as entender...
Não entendo esta confusão que em pouco tempo se instalou...
Não consigo perceber as palavras que dizes...
O tom com que são proferidas...
Parecemos estranhos quando já fomos tão cúmplices...
Que se passa com as amizades?
Que se passou?
Não entendo palavras,
Não entendo ausências,
Não entendo...
E não gosto...
Não gosto desta confusão mental...
Deste desassossego...
De não ter paz nos momentos que deviam ser tranquilos...
De relembrar...
De pensar vezes sem conta naquela manhã...
De não te visitar...
De ter amigos a quem as lágrimas correm involuntariamente...
De não poder fazer nada para as evitar...
De me sentir uma vez mais impotente perante a vida...
Te poder apenas abraçar e dizer que tudo vai ficar bem...
Que tudo tem um porquê...
Hoje pode doer mas amanhã irás sorrir...
De os dias serem cinzentos e frios...
De por vezes não ver o prateado...
De me sentir estranha,
E desconhecida
Por não me encontrar...
Por me sentir cansada...
De regressar sempre ao mesmo ponto de partida,
De as histórias se repetirem vezes sem conta,
De revisitar sempre os mesmos medos
Por submeter-me a horas de ocupação para não sentir,
Para não pensar...
Para tentar obter sossego...
De ter silêncio...
De me querer abraçar
E conseguir sossegar...
De me enrolar
E sentir conforto...
De alcançar o silêncio...
De me sentir vazia...
De não pensar em nada...
De fazer reset e iniciar de novo...
De desejar que a mesma história se reptita sem se repetir vezes sem conta...
Cansa...
Quero sentar-me num canto
Em silêncio
Abraçando-me
E acreditar que
Agora sim, vai ser diferente...
Que o que dói fica no passado
E comigo caminha apenas o que se transforma em sorrisos
Tenho uma sede imensa de momentos desses...
Momentos que se guardam...
Com fragmentos visuais,
Mas que cá dentro são frames de vidas...
Esses dos sorrisos...
É um dormir em desassossego...
Sentir o coração apertado sem porquê...
O passado que ficou no passado e que não voltou para o presente...
E fica bem guardado...
Finalmente foi arrumado no espacinho que lhe é devido,
Pelo que foi, pelo que representou
E que hoje já não é...
É apenas passado e jamais será de novo presente...
Desassossego de pensamentos que vão e voltam...
Que não se conseguem controlar...
Não consigo arrumar de vez com o que provavelmente nunca foi...
Não consigo deixar de pensar em momentos e atitudes,
E não as entender...
Não entendo esta confusão que em pouco tempo se instalou...
Não consigo perceber as palavras que dizes...
O tom com que são proferidas...
Parecemos estranhos quando já fomos tão cúmplices...
Que se passa com as amizades?
Que se passou?
Não entendo palavras,
Não entendo ausências,
Não entendo...
E não gosto...
Não gosto desta confusão mental...
Deste desassossego...
De não ter paz nos momentos que deviam ser tranquilos...
De relembrar...
De pensar vezes sem conta naquela manhã...
De não te visitar...
De ter amigos a quem as lágrimas correm involuntariamente...
De não poder fazer nada para as evitar...
De me sentir uma vez mais impotente perante a vida...
Te poder apenas abraçar e dizer que tudo vai ficar bem...
Que tudo tem um porquê...
Hoje pode doer mas amanhã irás sorrir...
De os dias serem cinzentos e frios...
De por vezes não ver o prateado...
De me sentir estranha,
E desconhecida
Por não me encontrar...
Por me sentir cansada...
De regressar sempre ao mesmo ponto de partida,
De as histórias se repetirem vezes sem conta,
De revisitar sempre os mesmos medos
Por submeter-me a horas de ocupação para não sentir,
Para não pensar...
Para tentar obter sossego...
De ter silêncio...
De me querer abraçar
E conseguir sossegar...
De me enrolar
E sentir conforto...
De alcançar o silêncio...
De me sentir vazia...
De não pensar em nada...
De fazer reset e iniciar de novo...
De desejar que a mesma história se reptita sem se repetir vezes sem conta...
Cansa...
Quero sentar-me num canto
Em silêncio
Abraçando-me
E acreditar que
Agora sim, vai ser diferente...
Que o que dói fica no passado
E comigo caminha apenas o que se transforma em sorrisos
Tenho uma sede imensa de momentos desses...
Momentos que se guardam...
Com fragmentos visuais,
Mas que cá dentro são frames de vidas...
Esses dos sorrisos...
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Too late to apologize...
I'd take another chance, take a fall, take a shot for you
I need you like a heart needs a beat
(Its nothing new)
Yeah yeah
I loved you with the flying red, now it's turning blue
And you say
Sorry like an angel, heavens not the same with you
And that I'm afraid
It's too late to apologize, it's too late
I said it's too late to apologizes, it's too late
Timbaland ft. One Republic - Apologize
I need you like a heart needs a beat
(Its nothing new)
Yeah yeah
I loved you with the flying red, now it's turning blue
And you say
Sorry like an angel, heavens not the same with you
And that I'm afraid
It's too late to apologize, it's too late
I said it's too late to apologizes, it's too late
Timbaland ft. One Republic - Apologize
domingo, 2 de dezembro de 2007
15 Step
How come I end up where I started
How come I end up where I went wrong
Won't take my eyes off the ball again
You reel me out then you cut the string.
How come I end up where I started
How come I end up where I went wrong
Won't take my eyes off the ball again
You reel me out then you cut the string.
You used to be alright
What happened?
Did the cat get your tongue
Did your string come undone
One by one
One by one
It comes to us all
It's as soft as your pillow
You used to be alright
What happened?
Etcetera Etcetera
Facts for whatever
Fifteen steps
Then a sheer drop
How come i end up where i started?
How can i end up where i belong?
Won't take my eyes off the ball again
You reel me out then you cut the string.
15 Step - Radiohead in Rainbows 2007
How come I end up where I went wrong
Won't take my eyes off the ball again
You reel me out then you cut the string.
How come I end up where I started
How come I end up where I went wrong
Won't take my eyes off the ball again
You reel me out then you cut the string.
You used to be alright
What happened?
Did the cat get your tongue
Did your string come undone
One by one
One by one
It comes to us all
It's as soft as your pillow
You used to be alright
What happened?
Etcetera Etcetera
Facts for whatever
Fifteen steps
Then a sheer drop
How come i end up where i started?
How can i end up where i belong?
Won't take my eyes off the ball again
You reel me out then you cut the string.
15 Step - Radiohead in Rainbows 2007
30...
Fazer 30 anos
Affonso Romano de Sant'Anna
QUATRO pessoas, num mesmo dia, me dizem que vão fazer 30 anos. E me anunciam isto com uma certa gravidade. Nenhuma está dizendo: vou tomar um sorvete na esquina, ou: vou ali comprar um jornal. Na verdade estão proclamando: vou fazer 30 anos e, por favor, prestem atenção, quero cumplicidade, porque estou no limiar de alguma coisa grave.
Antes dos 30 as coisas são diferentes. Claro que há algumas datas significativas, mas fazer 7, 14, 18 ou 21 é ir numa escalada montanha acima, enquanto fazer 30 anos é chegar no primeiro grande patamar de onde se pode mais agudamente descortinar.
Fazer 40, 50 ou 60 é um outro ritual, uma outra crônica, e um dia eu chego lá. Mas fazer 30 anos é mais que um rito de passagem, é um rito de iniciação, um ato realmente inaugural. Talvez haja quem faça 30 anos aos 25, outros aos 45, e alguns, nunca. Sei que tem gente que não fará jamais 30 anos. Não há como obrigá-los. Não sabem o que perdem os que não querem celebrar os 30 anos. Fazer 30 anos é coisa fina, é começar a provar do néctar dos deuses e descobrir que sabor tem a eternidade. O paladar, o tato, o olfato, a visão e todos os sentidos estão começando a tirar prazeres indizíveis das coisas. Fazer 30 anos, bem poderia dizer Clarice Lispector, é cair em área sagrada.
Até os 30, me dizia um amigo, a gente vai emitindo promissórias. A partir daí é hora de começar a pagar. Mas também se poderia dizer: até essa idade fez-se o aprendizado básico. Cumpriu-se o longo ciclo escolar, que parecia interminável, já se foi do primário ao doutorado. A profissão já deve ter sido escolhida. Já se teve a primeira mesa de trabalho, escritório ou negócio. Já se casou a primeira vez, já se teve o primeiro filho. A vida já se inaugurou em fraldas, fotos, festas, viagens, todo tipo de viagens, até das drogas já retornou quem tinha que retornar.
Quando alguém faz 30 anos, não creiam que seja uma coisa fácil. Não é simplesmente, como num jogo de amarelinha, pular da casa dos 29 para a dos 30 saltitantemente. Fazer 30 anos é cair numa epifania. Fazer 30 anos é como ir à Europa pela primeira vez. Fazer 30 anos é como o mineiro vê pela primeira vez o mar.
Um dia eu fiz 30 anos. Estava ali no estrangeiro, estranho em toda a estranheza do ser, à beira-mar, na Califórnia. Era um homem e seus trinta anos. Mais que isto: um homem e seus trinta amos. Um homem e seus trinta corpos, como os anéis de um tronco, cheio de eus e nós, arborizado, arborizando, ao sol e a sós.
Na verdade, fazer 30 anos não é para qualquer um. Fazer 30 anos é, de repente, descobrir-se no tempo. Antes, vive-se no espaço. Viver no espaço é mais fácil e deslizante. É mais corporal e objetivo. Pode-se patinar e esquiar amplamente.
Mas fazer 30 anos é como sair do espaço e penetrar no tempo. E penetrar no tempo é mister de grande responsabilidade. É descobrir outra dimensão além dos dedos da mão. É como se algo mais denso se tivesse criado sob a couraça da casca. Algo, no entanto, mais tênue que uma membrana. Algo como um centro, às vezes móvel, é verdade, mas um centro de dor colorido. Algo mais que uma nebulosa, algo assim pulsante que se entreabrisse em sementes.
Aos 30 já se aprendeu os limites da ilha, já se sabe de onde sopram os tufões e, como o náufrago que se salva, é hora de se autocartografar. Já se sabe que um tempo em nós destila, que no tempo nos deslocamos, que no tempo a gente se dilui e se dilema. Fazer 30 anos é como uma pedra que já não precisa exibir preciosidade, porque já não cabe em preços. É como a ave que canta, não para se denunciar, senão para amanhecer.
Fazer 30 anos é passar da reta à curva. Fazer 30 anos é passar da quantidade à qualidade. Fazer 30 anos é passar do espaço ao tempo. É quando se operam maravilhas como a um cego em Jericó.
Fazer 30 anos é mais do que chegar ao primeiro grande patamar. É mais que poder olhar pra trás. Chegar aos 30 é hora de se abismar. Por isto é necessário ter asas, e sobre o abismo voar.
(13.10.85)
O texto acima foi extraído do livro "A Mulher Madura", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1986, pág. 36.
Affonso Romano de Sant'Anna
QUATRO pessoas, num mesmo dia, me dizem que vão fazer 30 anos. E me anunciam isto com uma certa gravidade. Nenhuma está dizendo: vou tomar um sorvete na esquina, ou: vou ali comprar um jornal. Na verdade estão proclamando: vou fazer 30 anos e, por favor, prestem atenção, quero cumplicidade, porque estou no limiar de alguma coisa grave.
Antes dos 30 as coisas são diferentes. Claro que há algumas datas significativas, mas fazer 7, 14, 18 ou 21 é ir numa escalada montanha acima, enquanto fazer 30 anos é chegar no primeiro grande patamar de onde se pode mais agudamente descortinar.
Fazer 40, 50 ou 60 é um outro ritual, uma outra crônica, e um dia eu chego lá. Mas fazer 30 anos é mais que um rito de passagem, é um rito de iniciação, um ato realmente inaugural. Talvez haja quem faça 30 anos aos 25, outros aos 45, e alguns, nunca. Sei que tem gente que não fará jamais 30 anos. Não há como obrigá-los. Não sabem o que perdem os que não querem celebrar os 30 anos. Fazer 30 anos é coisa fina, é começar a provar do néctar dos deuses e descobrir que sabor tem a eternidade. O paladar, o tato, o olfato, a visão e todos os sentidos estão começando a tirar prazeres indizíveis das coisas. Fazer 30 anos, bem poderia dizer Clarice Lispector, é cair em área sagrada.
Até os 30, me dizia um amigo, a gente vai emitindo promissórias. A partir daí é hora de começar a pagar. Mas também se poderia dizer: até essa idade fez-se o aprendizado básico. Cumpriu-se o longo ciclo escolar, que parecia interminável, já se foi do primário ao doutorado. A profissão já deve ter sido escolhida. Já se teve a primeira mesa de trabalho, escritório ou negócio. Já se casou a primeira vez, já se teve o primeiro filho. A vida já se inaugurou em fraldas, fotos, festas, viagens, todo tipo de viagens, até das drogas já retornou quem tinha que retornar.
Quando alguém faz 30 anos, não creiam que seja uma coisa fácil. Não é simplesmente, como num jogo de amarelinha, pular da casa dos 29 para a dos 30 saltitantemente. Fazer 30 anos é cair numa epifania. Fazer 30 anos é como ir à Europa pela primeira vez. Fazer 30 anos é como o mineiro vê pela primeira vez o mar.
Um dia eu fiz 30 anos. Estava ali no estrangeiro, estranho em toda a estranheza do ser, à beira-mar, na Califórnia. Era um homem e seus trinta anos. Mais que isto: um homem e seus trinta amos. Um homem e seus trinta corpos, como os anéis de um tronco, cheio de eus e nós, arborizado, arborizando, ao sol e a sós.
Na verdade, fazer 30 anos não é para qualquer um. Fazer 30 anos é, de repente, descobrir-se no tempo. Antes, vive-se no espaço. Viver no espaço é mais fácil e deslizante. É mais corporal e objetivo. Pode-se patinar e esquiar amplamente.
Mas fazer 30 anos é como sair do espaço e penetrar no tempo. E penetrar no tempo é mister de grande responsabilidade. É descobrir outra dimensão além dos dedos da mão. É como se algo mais denso se tivesse criado sob a couraça da casca. Algo, no entanto, mais tênue que uma membrana. Algo como um centro, às vezes móvel, é verdade, mas um centro de dor colorido. Algo mais que uma nebulosa, algo assim pulsante que se entreabrisse em sementes.
Aos 30 já se aprendeu os limites da ilha, já se sabe de onde sopram os tufões e, como o náufrago que se salva, é hora de se autocartografar. Já se sabe que um tempo em nós destila, que no tempo nos deslocamos, que no tempo a gente se dilui e se dilema. Fazer 30 anos é como uma pedra que já não precisa exibir preciosidade, porque já não cabe em preços. É como a ave que canta, não para se denunciar, senão para amanhecer.
Fazer 30 anos é passar da reta à curva. Fazer 30 anos é passar da quantidade à qualidade. Fazer 30 anos é passar do espaço ao tempo. É quando se operam maravilhas como a um cego em Jericó.
Fazer 30 anos é mais do que chegar ao primeiro grande patamar. É mais que poder olhar pra trás. Chegar aos 30 é hora de se abismar. Por isto é necessário ter asas, e sobre o abismo voar.
(13.10.85)
O texto acima foi extraído do livro "A Mulher Madura", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1986, pág. 36.
sábado, 1 de dezembro de 2007
Assinar:
Comentários (Atom)
